21 de out. de 2011

ESTALEIRO EM PONTAL E ANTONINA: Techint diz que investimentos em Pontal do Paraná são de longo prazo

Publicado no Correio do Litoral

A empresa ítalo-argentina Techint informou que pretende utilizar o litoral do Estado como base para uma série de operações que pretende realizar para apoio à exploração do pré-sal de longa duração.

O superintendente de Desenvolvimento de Negócios da Techint, Luís Guilherme de Sá, presentou os planos da multinacional na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), durante reunião da Câmara de Petróleo e Gás. 


Luis Guilherme de Sá, superintendente da Techint, falando na FIEP sobre os investimentos da empresa no Paraná.

Segundo o executivo, somente nos projetos iniciais de fabricação de duas plataformas petrolíferas, a empresa deve gerar 3 mil empregos diretos nos próximos três anos, além de demandar uma série de produtos e serviços, abrindo oportunidades para empresas paranaenses de vários segmentos.

Atuando no Brasil há 64 anos, a Techint já manteve sua unidade em Pontal do Paraná ativa em dois períodos: na década de 1980 e entre 2004 e 2006. Na última etapa, a empresa produziu jaquetas para a plataforma PRA-1, da Petrobras.

Agora, serão construídas duas plataformas para a OSX – uma das companhias que atuará na exploração do petróleo do pré-sal –, cada uma pesando cerca de 23 mil toneladas. Para comportar o empreendimento, a Techint já está ampliando seu canteiro, que passará dos atuais 150 mil metros quadrados de área para 200 mil. Além disso, a empresa também possui uma área de 100 mil metros quadrados em Antonina, que também deve ser utilizada em seus projetos para o pré-sal.

Sá explica que, enquanto na construção dos componentes da PRA-1 foram empregadas entre 1,2 mil e 1,5 mil pessoas, agora devem ser gerados cerca de 3 mil empregos diretos e outros 6 mil indiretos ao longo do projeto. 

Plataformas de petróleo Petrobras: Paraná entra no Pre Sal.

Segundo ele, a empresa dará prioridade para mão de obra local. “Precisamos de formação de mão de obra especializada. É importante a parceria com entidades como Senai, Sesi e Governo do Estado, para qualificar a mão de obra local e retê-la na região”, afirmou. De acordo com a Fipe, o Senai já realizou investimentos em sua unidade de Paranaguá para ampliar a capacidade de formação de profissionais, especialmente soldadores. Além disso, a instituição mantém conversas constantes com a empresa para discutir outras prioridades.

O executivo acrescentou que, apesar de o contrato da Techint com a OSX ter duração prevista de cerca de 3 anos, a intenção da multinacional é estender seu período de atuação em Pontal.

“Queremos criar um conjunto de atividades que torne perene nossa operação no Paraná”, disse. Entre essas atividades, além da construção de outras plataformas fixas, a empresa tem a intenção de utilizar a unidade de Pontal para produzir módulos que são instalados nos chamados navios FPSOs, embarcações que ficam ancoradas em alto-mar e fazem o primeiro processamento no petróleo antes que sejam trazidos á costa. “Nosso objetivo é não só produzir os módulos como fazer a integração deles aos FPSOs. Hoje existem poucos estaleiros que fazem isso no Brasil, e a Techint quer trazer isso ao Paraná.”, explicou Sá.

De acordo com o executivo, cada projeto de montagem de um navio FPSO leva em torno de 1 ano e meio, demandando investimentos que podem chegar a U$ 3 bilhões por unidade. Atualmente, a Petrobras está com licitações abertas para encomendar oito FPSOs, projetos que interessam à Techint. “É uma concorrência estratégica, com fornecimentos de 5 anos para a Petrobras, que podemos garantir para a Techint e o estado do Paraná”, declarou.

Litoral do Paraná tem localização estratégica

Na opinião de Luís Guilherme de Sá, o litoral paranaense, por sua localização em relação aos campos petrolíferos, tem potencial para ser uma importante base tanto para construção e montagem de estruturas quanto para prestar apoio técnico e logístico ao pré-sal. “O Paraná tem importância estratégica para o pré-sal”, disse.
 
Mapa do Pré Sal: Paraná e sua posição estratégica com a baía de Paranagu/a/Antonina.

Com isso, abrem-se inúmeras oportunidades para empresas paranaenses de diversos setores. Outro executivo da Techint, o diretor comercial Nelson Aun, explicou que apenas para a ampliação da unidade de Pontal já estão sendo demandadas a contratação de fornecedores, por exemplo, de andaimes, estruturas metálicas, obras civis, fornecimento de refeições, aterro hidráulico, serviços de limpeza e vigilância, projeto básico de ampliação do cais, tratamento de efluentes e instalações de telecomunicações, entre outros.

Com a construção das primeiras plataformas, surgirão novas demandas, especialmente pela obrigatoriedade de presença de conteúdo nacional nos empreendimentos do pré-sal. “Temos um timing para nossos projetos e é fundamental que haja mobilização das empresas fornecedoras.

Temos empresas que são qualificadas, mas que não visualizam como podem estar participando deste processo”, disse Aun. Para o diretor, reuniões como a organizada pela Câmara de Petróleo e Gás da Fiep são importantes para que a Techint possa conhecer empresas interessadas e capacitadas para fornecer à companhia. 

VÍDEO SOBRE O PETRÓLEO DO PRÉ SAL

Fonte: Redação do Correio do Litoral.com com informações da Fiep

Foto: Fiep

5 de out. de 2011

O LITORAL DO PARANÁ TEM SAÍDA?

Cá com os meus botões e com as experiências que a vida me proporciona, fico lendo e acompanhando debates intermináveis e repetitivos sobre as alternativas econômicas que buscam para o litoral do Paraná.

Sinceramente, me parecem coisa de amadores e eternos profetas do paraíso, com um agravante: nunca é cumprido. Fiz parte de muitos destes debates, me sentia impotente com a falta de objetividade de grande parte dos atores envolvidos.

Estaleiros: Muitos projetos pelo Brasil, enquanto que no Paraná as coisas andam lentamente.

As discussões sobre investimentos de três grandes projetos em Pontal do Sul é um replay de pelo menos dez anos, em alguns casos, trinta! As alternativas portuárias para Antonina não saem do papel. Paranaguá está chegando a um esgotamento: gargalos urbanos, ferrovia antiquada, acessos comprimidos pela urbanidade, logística interna monopolizada e por aí vai. Sem falar na retroárea transformada em parque florestal pelos conflitos ambientais que travam seu desenvolvimento.

E as praias?

Bem, em minha opinião o litoral tem que se livrar da “síndrome da temporada” e do que chamam de “turismo” para ser um novo espaço geográfico de desenvolvimento sustentável do Paraná.

Ora, discutíamos em 2007 na Appa um aeroporto de cargas e alternativa para os fechamentos do aeroporto de São José dos Pinhais/Curitiba. Raramente no litoral temos neblina, e aviões cargueiros poderiam integrar-se a uma estrutura de multimodalidade logística com os portos e ferrovias. Esta última no plural, pois a Ferroeste (empresa estadual ferroviária) desenvolveu um projeto, onde a Appa entraria junto, abrindo uma nova via de Curitiba a Paranaguá em trilhos com bitola larga, moderna e com maior capacidade de carga e velocidade, ao invés da nossa atual ferrovia inaugurada com as marias-fumaça da Princesa Isabel ainda no império.

Com Jean-Michel Cousteau (2009), ao fundo Fabrizio Pierdomenico (SEP - Secretaria de Portos - Presidência da República: Meio-ambiente não é sinônimo de estagnação econômica. "O maior predador ambiental é a miséria."

O litoral do Paraná deveria competir economicamente e de forma sustentável com Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e por aí vai... Onde as praias e infraestrutura turística compartilham seus espaços de forma limpa e ecologicamente sustentável com outras atividades econômicas, como: portos, aeroportos, estaleiros, terminais de movimentação logística.

Em pleno século 21, temos tecnologias para integrar de forma harmoniosa a natureza e a atividade humana. Afinal, esse papo de “salvar o planeta” está em desuso no mundo civilizado, pois a Terra não acabará pela mão do homem, e sim a própria espécie.

O que não se aceita, são os “pitacos” genéricos de qualquer um que se auto intitula especialista em meio ambiente e quem vai pro atraso e marginalidade nas cidades do litoral são as pessoas.
 Impressionante a favelização em Guaratuba, Matinhos, Praia de Leste, Pontal... Sem falar nas antigas mazelas de Paranaguá e Antonina.

Estive na China em 2009, e hoje sou um fã dos chineses. Decisão com visão estratégica de interesse de Estado e pronto! Lá é construído um novo porto, aeroporto, pontes, conjuntos residenciais populares passando o trator em antigos pardieiros.

Mas, por aqui, nosso entendimento de democracia é absurdamente confundido com libertinagem, politicagem e demagogia barata, que impede qualquer decisão definitiva de velhos problemas.

Vamos construir a ponte de Guaratuba-Matinhos? Isto possibilitaria integrar a região do litoral ao dinamismo da economia norte catarinense. Faria com que os portos paranaenses pegassem carona na sinergia vizinha e brigasse pelas cargas industriais catarinenses. “Eles” levam a carga industrial do Paraná para seus portos com facilidade, afinal, é só “descer a serra pela BR-376”, e nossos portos podem dar o troco? Não! O caminho inverso e depois descer com pedágio pela BR-277 onera em tempo, energia e dinheiro.

E a BR-101 que simplesmente “pula” o litoral paranaense?

Então, os catarinenses agradecem aos ambientalistas paranaenses por esta trava logística.

Enquanto ficamos nesse interminável “reme, reme...” de discursos e notícias produzidas pelas assessorias de imprensa que transformam o virtual em capital eleitoral, aqui na vida real a marginalização social, o inchaço demográfico e as taxas de criminalidade no nosso litoral só crescem.

Assim, em minha opinião:

O litoral tem saída sim. A região deve reivindicar a implantação de empreendimentos de infraestrutura viária, indústrias e de serviços como é feito nas demais regiões do Paraná. Tem que focar em suas potencialidades econômicas além do turismo sazonal e passageiro e em definitivo, integrar-se às regiões vizinhas num raio de 150 quilômetros que alcance Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá, Guaratuba, Matinhos, Pontal, Paranaguá, Antonina e Região Metropolitana de Curitiba.

Temos que parar de viver de favores políticos e tomar as rédeas de seu destino.  Por isso, vamos ficar de olho nas propostas dos candidatos a prefeitos na região em 2012.

Essa é a minha opinião!
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