26 de abr. de 2015

"Abaixo a Corrupção!".... de quem?!

Publicado na web com Correio do Litoral - PR.

Parece que as eleições de 2014 ainda não acabaram. Os inconformados com suas derrotas e seus seguidores, buscam derrubar à força um governo federal legitimamente eleito. Mas, se isso não bastasse, vou me atrever aqui a fazer uma simples análise sociológica do que tem ocorridos nas manifestações patrocinadas pela grande mídia e seus partidos conservadores.
Afinal, qual é a razão de querer derrubar um governo federal? Ou o impeachment da presidente da República?
Olha, o cardápio é variado! Temos quase um buffet de restaurante com aquelas cubas para self-service com motivações para qualquer gosto e preferência política:
Começa com os saudosistas da Ditadura Militar que o Brasil viveu entre 1964 e 1985, ou seja, quase um quarto de século. Esses são pessoas idosas, seus filhos e netos, sentem-se frustrados psicologicamente com a perda de poder e a fama de terem servido o regime de força e suas mazelas.
Em geral, são militares aposentados com suas esposas ou suas viúvas, misturados com simpatizantes do fascismo, embora sequer saibam que o são.

"Brasileiro" protestando contra a Presidente Dilma Rousseff - março 2015

Depois vem outro grupo: a classe média tradicional brasileira, cujas histórias familiares são parecidas. Seus avós e pais também foram de classe média, são brancos e sempre se alimentaram e viveram na periferia do poder. Também sentem saudades dos tempos que a mão de obra dos serviçais era barata e podiam ter empregados e serviços de pessoas pobres que hoje subiram socialmente e cobram caro seus serviços. Possuem forte influência dos tempos de uma economia agrícola e fortes preconceitos sociais e até raciais.
O grupo dos perdedores políticos é mais transparente: manipulam descaradamente por uma simples motivação, que é a retomada do poder. Seus partidos conservadores, são um espelho perfeito para o que costumeiramente se chama de “elite branca”, ou seja, são financiados pelos ricos atrelados às verbas públicas, que sem elas suas fortunas se evaporam. Estão entre eles os grupos da velha mídia, donos de emissoras de rádio e TV, grandes jornais e revistas. Fizeram fortuna encima de gordas verbas de publicidade de governos, financiamentos públicos a seus bancos e empresas. São os apoiadores destes partidos que estão fora do poder federal há 13 anos! Ou tomam o poder ou vão à falência econômica.
O quarto grupo são os de sempre: os chamados “inocentes úteis”. Pessoas facilmente manipuladas pela mídia, com pouca reflexão intelectual e saem repetindo frases de efeitos como papagaios.
Este grupo é o mais interessante para a grande mídia, pois tem algum dinheiro pra comprar os grandes jornais, assinam revistas semanais e assistem noticiário à noite sentadinhos no sofá em frente à TV. A lavagem cerebral é muito mais fácil sobre este grupo, que se consideram “bem informados”, mas se alimentam apenas na seletividade e parcialidade destes gigantes manipuladores de massa.

Alienação política: um traço sociológico da nova direita brasileira.

Mas onde está a incoerência? Somos ou não contra a “Corrupção”?
A maioria das pessoas que conheço se dizem contra a corrupção, e com razão. Afinal, pagamos nossos impostos e queremos ver o dinheiro público bem aplicado pelos governos para o bem da sociedade.
A incoerência está nos políticos que são acusados pelo judiciário de irregularidades com o dinheiro público, querem derrubar uma presidente eleita legitimamente acusando-a sem provas pessoais de ilícitos.
Hoje, 70% dos congressistas e políticos respondem processos por irregularidades com recursos públicos, portanto, não seria hipocrisia quererem dar um golpe político em que é limpa juridicamente? Acho que é!
O próprio perdedor das eleições presidenciais de 2014, o senador mineiro Aécio Neves, foi acusado pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, de receber propinas de criminosos confessos que o denunciaram. Mas, seu processo está engavetado em Brasília. Não esqueçamos, que ele e seus partidos são os organizadores das tais “manifestações” contra a presidente da República.
Há um cheiro de podre no ar? Sim, é que agora a presidente levantou a tampa do esgoto e combate a corrupção, deixando ratos e baratas apavorados! Enfim, a sociedade vai esvaziar o esgoto, que ficou cheio após décadas de roubos.
Pra finalizar, aconselho os leitores da coluna a ajudarem a construirmos uma democracia. Para que ela funcione, suas instituições devem ser estáveis e respeitarmos a regra do jogo. Afinal, quando se entra nele é para ganhar ou perder, e é muito feio voltarmos a ser crianças e pegar nossa bola de volta porque nosso time está perdendo.
Não votei no governador do meu estado, ideologicamente não me alinho com seu governo, mas respeito o mandato dele conquistado nas urnas. Então, por que no Governo Federal deve ser diferente?
Defendamos a democracia!


É a Minha Opinião.

24 de mar. de 2015

Ah... Que saudade da Portobras!

Sim, a modernidade pode piorar as coisas.

Cada época na história tem uma onda predominante. É a moda, novas ideologias e conceitos importados por arautos da modernização e chavões que os papagaios saem repetindo histericamente.
Tocou-me, há alguns anos, quando um ex-conselheiro da Autoridade Portuária de Paranaguá me disse que assistiu à trágica extinção da Empresa de Portos do Brasil S/A, a Portobrás.

Era dia 15 de março de 1990, em pleno governo do presidente Fernando Collor de Melo, quando, após um dia de trabalho, à noite sentou à frente da televisão para assistir ao noticiário. De repente, da tela sai uma notícia que foi como um soco no estômago de milhares de portuários e servidores públicos federais. O apresentador acabava de anunciar que o excelentíssimo presidente da República acabava de assinar o decreto que “extinguia” a Portobrás e diversos órgãos federais.

Segundo ele, ficou paralisado e mal conseguia dizer para esposa e filhos que a empresa estatal em que trabalhava há anos estava sendo morta naquele momento. Um trauma.
Os tempos eram de ‘neoliberalismo’, a nova onda de ideologia econômica e governança que varria o Planeta. A moda era ‘desestatizar’, ‘privatizar’, entregar aos empresários tudo o que era público, não importava o preço e o suor que uma Nação pagou por gerações para construí-lo.

Portos, aeroportos, mineradoras, bancos públicos, geradoras de energia, aviação, telefônicas, companhias de água e saneamento, metrôs, transportes coletivo. Tudo era para ser entregue aos grandes capitais estrangeiros.



E assim se fez nos governos Collor e de Fernando Henrique Cardoso, o FHC.

Voltando aos portos, a Portobrás e a gloriosa Companhia Brasileira de Dragagem (CBD) foram sucateadas e dilaceradas pelos abutres do neoliberalismo e seus sócios privados.
Toda a inteligência pública brasileira foi, naquele fatídico dia de 1990 (lá se vai um quarto de século!), jogada no lixo. Muitos funcionários aposentaram-se, outros lotados e acomodados em qualquer outro órgão, seja portuário ou não. Foram pulverizados numa noite. Sem contar com arquivos, plantas, projetos, dados, e um imenso acervo técnico que foi jogado fora.

Tive essa conversa há uns sete anos, quando esse meu amigo, já aposentado, de bermuda, camiseta e chinelo estava morando no paraíso de Búzios. Quando, de repente, no Governo Lula com a criação, em 2007, da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República (SEP), os “velhinhos” da Portobrás foram sendo buscados em suas casas, convidados a tirarem seus pijamas a voltarem a trabalhar para reconstruírem a ‘inteligência portuária’ do Brasil.

Na onda neoliberal, o governo FHC criou as famigeradas “agências reguladoras”, uma excrecência que a nova Lei 12.815/2013 veio o subordinar a Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq) à SEP a partir de 2013, com o que concordo.
Então, ficamos com Antaq, SEP e administrações portuárias ‘tipo arquipélago’, onde cada porto público brasileiro tem organogramas, gestões, base jurídica e apadrinhamentos políticos tão difusos entre si que, se somados aos terminais privados, percebe-se a moqueca baiana, ou capixaba, como preferem alguns, que é o modelo portuário brasileiro. Ou o não-modelo!

A Portobrás era o nosso cérebro portuário com uma visão estratégica de país. Foi graças a ela que tínhamos soberania e independência na dragagem pública dos portos, os atuais corredores de exportação de grãos de Rio Grande (RS), Paranaguá (PR) e Santos (SP), entre tantas.

Tive o privilégio de conversar algumas vezes com seu mais icônico presidente: Arno Oskar Marcus, que liderou a Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) com o idealismo de unir os portos públicos brasileiros e sua inteligência.

Hoje a SEP, apesar das críticas que sofre, tem se esforçado para juntar os cacos que o neoliberalismo causou na quase destruição e colapso do sistema portuário brasileiro, salvo no Governo Lula.
Confesso que ao ver esse arquipélago portuário brasileiro, digo: Ah, que saudades da Portobrás!

É a Minha Opinião.

Artigo publicado simultaneamente com o site PORTOGENTE.