12 de dez. de 2014

ESTALEIRO BRASILEIRO PARA CONSTRUÇÃO DE SUBMARINOS


Fonte: Site Planalto.gov.br - Estaleiro de submarinos

Sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 às 16:00

Estaleiro de construção de submarinos vai gerar mais de 40 mil empregos até 2021

O prédio inaugurado pela presidenta Dilma Rousseff na manhã desta sexta-feira (12) faz parte de um complexo que terá investimento de R$ 23 bilhões pelo Prosub em 15 anos. Até lá, estão previstos 9.000 empregos diretos e 32.000 indiretos, com a participação de 600 empresas nacionais, promovendo a geração de emprego na região de Itaguaí. Na construção e projeto dos submarinos convencionais e com propulsão nuclear, serão cerca de 5.600 empregos diretos e 14.000 indiretos.
"Para a cidade foi muito bom porque criou muito emprego. Antes não tinha trabalho. Tinha que trabalhar fora do estado, agora estou feliz de poder trabalhar na minha cidade", comenta Arimatéia, carpintarista na obra. Foto: Gabinete Digital/PR.
“Para a cidade foi muito bom porque criou muito emprego. Antes não tinha trabalho. Tinha que trabalhar fora do estado, agora estou feliz de poder trabalhar na minha cidade”, comenta Arimatéia, carpintarista na obra. Foto: Gabinete Digital/PR.
O Complexo tem também o programa Acreditar focado na região de Itaguaí, com cursos de formação realizados no próprio canteiro de obras para se trabalhar no empreendimento. Já foram formados 438 profissionais nas atividades de soldador, carpinteiro, eletricista, pedreiro, montador, armador e ajudante. Os programas oferecem ainda aulas de inglês e informática, com cerca de 200 alunos.
É o caso de Luciana da Silva Ribeiro, soldadora. Ela foi uma das formadas nos cursos ofertados e já trabalha no empreendimento. Luciana fala da oportunidade profissional que “abraçou”.
"Fiz o curso de solda aqui mesmo, me profissionalizei", disse Luciana Ribeiro. Foto: Gabinete Digital/PR.
“Fiz o curso de solda aqui mesmo, me profissionalizei”, disse Luciana Ribeiro. Foto: Gabinete Digital/PR.
“Profissionalmente é uma oportunidade que temos que abraçar. Fiz o curso de solda aqui mesmo, me profissionalizei. Pretendo continuar até o final”, comemorou.
Arimatéia Vaz (57), e Alexandre Vaz (37), pai e filho, são carpintarista e motorista na obra, respectivamente. Ambos moram em Itaguaí (RJ) e avaliam o empreendimento como melhor na qualidade de vida da população da cidade, por não precisar se deslocar para fora do estado atrás de emprego.
“Para a cidade foi muito bom porque criou muito emprego. Antes não tinha trabalho. Tinha que trabalhar fora do estado, agora estou feliz de poder trabalhar na minha cidade”, comenta Arimatéia.
Simone Couto, auxiliar de topografia, está trabalhando na obra há um ano e quatro meses. Ela fala entusiasmada sobre trabalhar na construção de um submarino. “Eu gosto de trabalhar aqui. Construir um submarino é uma novidade. Quando vi um pela primeira vez, fiquei encantada”, disse.

26 de nov. de 2014

OS NAVIOS GIGANTES DA CHINA SHIPPING (CSCL)

CHINA SHIPPING : NAVIOS DE 19.000 TEUS
Até agora, os maiores navios do mundo eram os chamados Triple-E, da líder mundial Maersk, com 18.000 TEUs (containeres de 20 pés ou equivalente, de modo que um container de 40 pés conta como dois TEUs). Mas a Hyundai Heavy Industries, da Coréia, acaba de lançar ao mar o CSCL Globe, com capacidade de 19.000 TEUs. A dona do navio é a China Shipping Container Line (CSCL), que encomendou nada menos de cinco dessas unidades. Informa Port Finance International que o consumo de combustível é 20% inferior ao de navios para 10.000 TEUs. O supernavio tem 400 m de comprimento, 58,6 de largura e altura de 30,5 metros.

De um lado, os supernavios representam o progresso, mas outras questões são levantadas. Especialistas acham contrastante que as gigantes do setor – Maersk, CMA-CGM, MSC e outras – sempre se queixam de que os fretes estão em queda, mas não param de comprar novos e mais sofisticados navios. Ao mesmo tempo em que engordam suas frotas, as líderes fazem acordos entre si, dificultando a competição e inibindo novos participantes do clube, exceção feita a países asiáticos, como a China, que impõem suas empresas no mercado, como política de viabilizar suas crescentes exportações. 

Sobre isso, afirma o brasileiro Osvaldo Agripino, pós-doutor em regulação por Harvard: “Isso é feito com controle dos custos logísticos via regulação econômica dos armadores estrangeiros que lá operam. Por isso a China proibiu cobrança de taxa de armazenagem." (THC, de Terminal Handling Charge) em 2007. 




Infelizmente, no Brasil, apesar de termos legislação suficiente, a Antaq não tem tal política, que tem prejudicado inclusive a entrada de armadores brasileiros na cabotagem e longo curso. Esse é um dos motivos pelos quais a Maestra encerrou suas atividades e por que não temos mais empresas brasileiras (EBN’s) no longo curso. A concorrência é desleal.

Europa, Estados Unidos e China fazem questão de disciplinar a entrada de supernavios. A americana Federal Maritime Commission vetou um acordo de Maersk, MSC e CMA-CGM para atuar nos portos americanos, pois isso poderia configurar oligopólio. Agora, a FMC analisa a operação do 2M, que é a união de Maersk com MSC. Os dois armadores vão usar 185 navios, somando 2,1 milhões de TEUs, se ganharem sinal verde. Nesse ponto, o Brasil está na idade da pedra. As empresas estrangeiras operam no Brasil sequer sem regulação. 

Se houver um acordo das cinco maiores linhas para fixarem preços altos, o Governo de nada saberá e caberá aos embarcadores – exportadores e importadores – apenas lamentarem e pagarem preços altos. Empresas que se apresentam como oriundas de países tradicionais na verdade são pequenas empresas instaladas em paraísos fiscais. Em caso de um acidente, o Brasil não poderá processar gigantes do setor, mas empresas desconhecidas sediadas em paraísos fiscais, pois são elas as reais donas dos navios. 

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Mario Povia, tem declarado que o Brasil partirá para a regulação dos navios de empresas estrangeiras, mas ninguém sabe quando, como e se isso ocorrerá. Não se trata de impor regras rígidas aos estrangeiros, mas tão somente de fazer como o resto do mundo, que exige que navios estrangeiros estejam registrados nos países em que operam. 





No Brasil, os aviões que aqui chegam são regulados e fiscalizados pela Anac e Cade, que recentemente condenou várias empresas de transporte aéreo de carga a multa de R$ 300 milhões, por preços abusivos e cartel, mas não os navios. O fato mais grave ocorre com navios de passageiros, que estão imunes a regras da Antaq e também operam no Brasil no sistema de laissez-faire, sem qualquer regulação da Antaq.

Osvaldo Agripino acha “essencial que o Brasil passe a controlar a atuação de navios estrangeiros, responsáveis por 100% do comércio exterior nacional feito em containeres.“ 
O Brasil é o sétimo PIB do mundo, mas tem somente 1% do comércio exterior internacional, onde os custos logísticos têm papel fundamental. Não pode simplesmente abdicar de saber quem passa por aqui e pega as cargas de seus exportadores. As empresas têm de se inscrever e informar os fretes que praticam, cabendo ao governo, via Antaq e Cade, impedir que haja operação cartelizada. 

O capítulo mais importante da defesa do usuário está na Lei do Cade (defesa da concorrência) que deve ser interpretada e aplicada especialmente pela Antaq. Como essa agência fará isso se os armadores estão fora da regulação? Esse é o custo Antaq. É urgente uma regulação para o international trade. ” diz Agripino.


Por sua vez, o empresário Washington Barbeito defende a tese de que o Brasil deveria se lançar na atividade com 12 navios porta-containeres, operando para Europa e Estados Unidos. Isso seria feito através de duas ou três empresas, com navios financiados via-leasing – de modo que, ante qualquer dificuldade de uma empresa, o Fundo de Marinha Mercante retomaria os navios e os cederia a outra operadora nacional. Essencial para que isso ocorra é a retirada de ônus à operação marítima, conforme tese defendida também pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), através de adaptação da lei 9432/97. 

Essa lei criou o Registro Especial Brasileiro (REB), cujos incentivos, após vetos governamentais, ficaram flácidos, não permitindo a competição entre brasileiros com as empresas estrangeiras, que registram seus navios em paraísos fiscais ou segundos registros nacionais, sem os ônus sociais e previdenciários comuns a grandes países. Barbeito estima o déficit anual de fretes em US$ 20 bilhões, embora valores menores apareçam na contabilidade nacional, uma vez que não há controle de fretes pagos no exterior.

Na Polônia, o Centro de Tecnologia Marítima não vê com bons olhos os supernavios de containeres. O chefe de departamento Wojciech Gorski afirma que as companhias de navegação usam navios gigantes para reduzir custos, mas que o impacto nos portos e nas cidades é excessivo. Diz que, quando um navio com quase 20 mil containers chega em um porto, há poluição ambiental, com os caminhões que esperam as cargas, ruído e confusão no trânsito. Outros técnicos dizem que os supernavios podem inundar o comércio com alguns tipos de produtos, gerando problemas para o varejo. 

Economistas afirmam que os supernavios interessam à China, pois a facilidade de transporte tornará difícil a competição de outros países com cargas excessivas remetidas pelas indústrias chinesas, a baixos preços. 
Fonte: Revista NET MARINHA. Postado em 25/11/14.