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7 de jul. de 2012

Petróleo do Pré Sal: Estaleiro da Techint inicia fabricação de plataforma da OGX


O susto da OGX – a primeira petroleira brasileira privada

No final do 1º semestre de 2012 as ações da petroleira brasileira OGX tiveram dias de pânico nas bolsas de valores brasileiras. Chegaram a desvalorizar-se 40% devido à comunicação truncada ao mercado, sobre as vazões comerciais dos dois poços que está iniciando testes de produção no campo de Tubarão Azul. Estariam, portanto, aquém das estimativas iniciais (18 mil barris por dia).

Mudança de diretores da petroleira privada brasileira controlada pelo nosso mega-empresário Eike Batista ficou com a imagem extremamente danificada, colocando em risco seu grupo empresarial e sua capacidade de entregar aquele que prometeu aos investidores que apostaram nos seus projetos.

Ficamos apreensivos com o comprometimento do nascente pólo de apoio ao Pré Sal que está sendo desenvolvido em Pontal do Sul, município de Pontal do Paraná pela multinacional Techint Engenharia e Construção.


Reservas de petróleo garantem a alegria do mega-empresário brasileiro Eike Batista.

Mas, no início de julho de 2012, grande parte das perdas com as quedas sucessivas das ações da OGX foram gradualmente sendo recuperadas, chegando a superar com ganhos de 11% sobre as cotações anteriores à crise, trazendo alívio ao exército de trabalhadores, micro e pequenos empresários que estão direcionando seus projetos de vida pessoais e empresariais para a região.

Afinal, estimam que durante a vida útil do campo de Tubarão, serão retirados 110 milhões de barris. Fazendo uma conta simples, podemos dizer que reservas valem US$ 1 trilhão, e aguardam por Eike e seus sócios!

Iniciando a fabricação das plataformas de petróleo

A  Techint Engenharia e Construção deu início (junho de 2012) a construção de duas plataformas de petróleo em Pontal do Paraná para a exploração do pré-sal. A empresa prevê investimento de R$ 1 bilhão no projeto, com a geração de 10 mil empregos diretos e indiretos.


Governador Beto Richa inaugurando início da fabricação de plataformas de petróleo pela Techint.

Segundo o diretor-presidente da Techint, Roberto Vidigal, a unidade paranaense da empresa deverá operar por pelo menos 20 anos para atender a área do Pré Sal. “É uma oportunidade para todo o povo do Paraná. Teremos aqui atividades contínuas como o treinamento de mão de obra e a atração de pequenas empresas que se somarão a todo o processo”, disse.

A multinacional italiana vai construir e montar as plataformas fixas de petróleo WHP-1 e WHP-2. Cada uma delas terá 26 mil toneladas e capacidade para a perfuração de 30 poços. Serão gerados mais de 2,5 mil empregos diretos e 7,5 mil indiretos. As plataformas foram encomendadas pela OSX Brasil S/A, empresa de petróleo do grupo do empresário Eike Batista, dedicada a engenharia naval e tem como principal cliente a coligada OGX.


Plataformas de gás-petróleo tipo WHP: Pontal do Sul passa a ser novo pólo de desenvolvimento.

Para a construção das plataformas, a Techint investiu cerca de R$ 300 milhões na modernização da unidade que mantém em Pontal do Paraná desde a década de 80. Houve ampliação da área útil do canteiro, que passa de 140 mil para 200 mil metros quadrados, e a construção de um cais de 300 metros.

O espaço recebeu uma nova estação de tratamento de esgoto; escola técnica para capacitação interna de funcionários e melhoria na infraestrutura de acesso.

Fontes:
InfomoneyBlog do Nelson Mademar  e opiniões do autor.

24 de jun. de 2011

A QUESTÃO AMBIENTAL PORTUÁRIA: MAL FALADA E INCOMPREENDIDA


Ficamos aqui de fora assistindo um show espetacular promovido por gente que não sabe o 
que aconteceu no passado para poder entender o presente.

O recém chegado ao poder deve primeiramente inteirar-se de tudo, para depois emitir opiniões sobre a tal “administração anterior”. É um péssimo costume na cultura politiqueira no país. 


Como nunca fui, não sou e não serei político de carreira, me sinto à vontade para tecer este tipo de crítica.

Plataformas de petróleo: Techint se prepara para fabrica-las em Pontal do Sul-PR.

Voltemos aos portos do Paraná: Antonina, Paranaguá e agora Pontal do Sul.

Ocupei a superintendência da Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) em Outubro de 2008 no meio de uma grave crise do Governo Requião, pois o STF com sua Súmula 13 sobre os casos de nepotismo, impedia o irmão do governador de continuar no cargo.
Já estava na Appa desde 2003, e no momento ocupava a Diretoria Administrativa e financeira, sendo praticamente “convocado” para aquele imenso desafio de gestão e política, pois a tensão era imensa e as heranças delas na mesma proporção.

Uma dessas heranças era o conflito político entre Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) e Estado do Paraná, mais precisamente, com a postura do meu antecessor de não aceitar as normas técnicas do órgão federal, para que o IAP (Instituto ambiental do Paraná) fosse o licenciador das obras portuárias.

Este conflito evoluiu até que a própria gestão do IAP e Sema (Secretaria do Meio Ambiente  do Paraná) também se desinteressaram em cuidar da Appa, em especial depois que por ofício no início de 2009, o Ibama informou ao IAP que não mais reconheceria suas licenças portuárias. O IAP não brigou e nós ficamos com o “pincel na mão”. O então secretário do Meio Ambiente hoje deputado estadual Rasca Rodrigues me aconselhou a interagir diretamente com o Ibama Brasília.

No final de 2009 a Appa, o IAP e seu presidente Vítor Hugo Burko e o IBAMA nacional assinávamos um TAC (Termo de Ajuste de Conduta), no qual cada um reconhecia suas respectivas competências e firmávamos um cronograma para licenciamento de tudo nos portos do Paraná: dragagens de manutenção e aprofundamento, obras portuárias, aumento de cais e por aí afora.

Iniciamos imediatamente a coleta de material ambiental para cumprir os prazos, e para encurtar caminho, decidimos contratar instituições públicas para poder dispensar licitação como é previsto na lei 8.666./93.

O Lactec (instituto de pesquisa do Estado), a Fafipar (faculdade de Paranaguá) e a Fundação Terra (fundada pelos engenheiros da Emater) ofereceram propostas. O primeiro R$ 4,9 milhões, o segundo R$ 3.1 milhões e o terceiro R$ 2,9 milhões. Contratamos o menor preço e mandamos pro Governador Requião convalidar o contrato. Mas aí surge o Tribunal de Contas e sugere que seria melhor uma empresa especializada e com notório saber na área ambiental portuária.

O processo é abortado, e o contrato com a Fundação Terra é cancelado e meu mandato termina e sou substituído no final de abril de 2010 na superintendência da Appa. Ou seja: não houve nenhum pagamento ou serviço.

Meu sucessor, demite quase toda minha equipe na Appa e todos da área ambiental que ficou à deriva e sem continuidade do cumprimento do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) o que motivou o embargo do porto de Paranaguá em 08 de Julho de 2010 pela Ibama, MPF e Polícia Federal: Um desastre!

A comunidade empresarial de Paranaguá através da Associação Comercial se une e contrata a empresa Acquaplan, com mais de 20 projetos portuários licenciados pelo Brasil (Porto de Itapoá, por exemplo), que já estava trabalhando para o TCP de Paranaguá.

Em dezembro de 2010 o Ibama dá a licença para a dragagem dos berços do cais de Paranaguá e neste mês de Junho de 2011 o órgão recebeu o EIA (Estudo de Impacto Ambiental) para todas as obras portuárias previstas no TAC que assinei no final de 2009.


Esperamos que em breve as Licenças para obras e dragagens de aprofundamento sejam emitidas, após audiência pública que deverá ocorrer em Paranaguá logo.

Uma vitória que poderia ser sem traumas se não fosse a politicagem mesquinha e falta de gestão competente.

E Pontal do Sul?

Lá temos três empreendimentos em curso: Porto Pontal (terminal de contêineres privado), Techint (estaleiro) e a Sub Sea7 (fabricante de tubos flexíveis para exploração de petróleo no mar).

Aí vem a discussão: ambos estão na área de jurisdição da Appa, chamado Porto Organizado, e portanto, têm que ter a complacência (anuência) da administração do porto, que não dei, pois o assunto é delicado e está sob jurisdição federal (por que razão fiz o TAC com Ibama e concordância do IAP?). 

Navio da SubSea7 lançando tubos para extração de petróleo. Projeto para sua fabricação em Ponta do Sul-PR

Surpreende-me a notícia que dois empreendimentos tiveram anuência da Appa e licença do IAP no “apagar das velas” do Governo Pessuti. Isso cheira mal. O outro está licenciando com o Ibama, neste ponto está correto. Ou seja, Temos aí IAP e Ibama “dando trombadas” no mesmo território.

Para mim, quem tem que licenciar obra marítima e portuária é o Ibama e ponto final. Está pactuado por todos no TAC ou não vale nada?

Isto poderá mudar a hora que IAP e Ibama assinarem um convênio onde o órgão federal reconhece e delega ao órgão ambiental estadual o poder de licenciar esse tipo de obra, caso contrário a polêmica se estabelece e os projetos demoram a sair do papel.

Fico feliz que o “meu TAC” salvou hoje os portos do Paraná do colapso. Na época fui criticado e criminalizado, diziam que assinei o acordo com o Ibama para poder contratar sem licitação as “minhas empresas”, como se os órgãos como Lactec, Fafipar e Fundação Terra fossem minhas. Mas essa é outra estória.

Vamos torcer que o desenvolvimento ambientalmente correto e bem planejado traga emprego e renda pra gente do litoral!

Espero ter colaborado para esclarecer o tema.            


Publicação simultânea com o site do jornal Correio do Litoral:
http://www.correiodolitoral.com/index.php?option=com_content&view=article&id=5955:em-primeira-mao-daniel-lucio-souza-fala-sobre-um-pouco-sobre-sua-gestao-na-appa&catid=58:especial&Itemid=164