11 de set de 2010

QUATRO AZES PARA OS PORTOS DO PARANÁ: UMA OPINIÃO PESSOAL

Enquanto os ânimos políticos ficam dia a dia mais acirrados, fico pensando quais os melhores nomes para comandar transformações necessárias que ambos os candidatos s governador prometes aos portos de Paranaguá e Antonina: profissionalizar a gestão.

Então, se os candidatos cumprirem a promessa de livrar a gestão portuária de compadres políticos e decididamente partirem para critérios técnicos e profissionalização, então me atrevo opinar.

Critérios para um perfil ideal:

O futuro gestor portuário deve dominar os seguintes conhecimentos:

1. O marco regulatório e legal do setor portuário nacional.

2. Gestão pública e estrutura organizacional portuária.

3. Logística, operação e infraestrutura portuária.

4. Visão e gestão estratégica com liderança.

Com base nestes critérios que sintetizam os diversos atributos que um profissional deve dominar para ser considerado “ideal” para atuar no comando dos portos, busquei identificar na comunidade portuária paranaense profissionais que se enquadram e atendem estes pré-requisitos.

Estes profissionais são do meu relacionamento pessoal e não sabem da minha intenção de citá-los nesta postagem. Como o propósito é de demonstrar o valor que possuem para o setor portuário paranaense, que me perdoem se for mal interpretado.

Meus indicados:

É uma opinião muito pessoal, mas a escolha de nomes que não estejam entre um dos nominados, seria temerária ao sistema. São eles (por ordem alfabética):

CLÁUDIO DAUDT
Atual presidente da CATTALINI TERMINAIS é profissional de mercado tendo ocupado diversos cargos de gestão na área de logística e de portos. É membro do Conselho de Autoridade Portuária de Paranaguá – CAP teve sua carreira executiva destacada na Sadia S/A, iniciou as operações do Terminal Portuário da Ponta do Félix, em Antonina-PR.

Claudio Daudt
Foi presidente da empresa TECONVI – Terminal de Contêineres do Vale do Itajaí, quando então foi convidado a presidir a empresa Cattalini Terminais. É conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Paranaguá - ACIAP, onde atua de forma pro ativa para o fomento portuário paranaense, além de conhecedor do marco regulatório do segmento portuário.
Cláudio é eclético, com uma profunda ênfase em gestão de pessoas e organizacional, além de um perfil comercial muito apurado e muito bem relacionado tanto na comunidade portuária paranaense quanto nacional.

• JUAREZ MORAES E SILVA

Ocupa atualmente a superintendência da empresa TCP – Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A, é presidente da ABRATEC - Associação Brasileira de Terminais de Contêineres de Uso Público.
Juarez Moares e Silva
Já foi Diretor da APPA – Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, tanto na diretoria do porto de Antonina como na Administrativa e Financeira por seis anos.
Presidiu a empresa Terminais Portuários da Ponta do Félix S/A em Antonina. Membro do CAP - Conselho de Autoridade Portuária de Paranaguá.
Juarez tem grande domínio nas áreas de gestão pública e privada e legislação portuária, além de sólidos conhecimentos de operação e comercialização de serviços logísticos e portuários. Um traço marcante é o relacionamento interpessoal e liderança com que exerce dentro dos grupos de trabalho em que atua.
  • LUIZ ANTÔNIO FAYET
Economista e professor, atualmente é consultor em macro logística, transporte e infraestrutura da CNA – Confederação Nacional da Agricultura e membro do CAP – Conselho de Autoridade Portuária de Paranaguá. O currículo de serviços públicos de Luiz Antônio Fayet é extenso, com dificuldade inclusive para sintetizá-lo neste espaço.

Na representação política, foi deputado federal (1983/87). Ocupou diversos cargos executivos de relevância estadual e nacional como a presidência do BADEP, do Banestado, diretor de Crédito Rural e Presidente do Banco do Brasil (1990/92).

Luiz Antônio Fayet (primeiro plano - à direita)
Fayet é respeitado no segmento portuário paranaense pela firme atuação como conselheiro do CAP de Paranaguá, domínio da regulação do setor, vasta experiência na administração pública e visão estratégica da macro logística nacional.
• LUIZ HENRIQUE DIVIDINO

Administrador de empresas atuando no setor logístico e portuário há mais de 20 anos, teve na multinacional global de commodities Cargill (Santos-SP) seu início de atuação no segmento.

Em 1994 entrou na APPA – Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, onde em 14 anos ocupou diversos cargos, inclusive as diretorias Empresarial e do Porto de Antonina.

Luiz Henrique Dividino
Desde 2008 preside a empresa Terminais Portuários da Ponta do Félix S/A, em Antonina-PR.
Luiz Henrique é profundo conhecedor do sistema portuário nacional, de operações portuárias e de gestão pública e privada. Seu principal traço é a visão de planejamento estratégico e capacidade de implementação de projetos.

Estes são os QUATRO AZES que na minha opinião nenhum governante poderá ignorar, sob pena de mais uma vez haver um equívoco de difícil reparação.
"Mas se houver um Quinto Elemento?" ... deverá preencher os mesmos requisitos ... my opinion!

Eu recomendo!

3 de set de 2010

PORTOS: FEDERALIZAR OU NÃO? THIS IS THE QUESTION...

Parece até um mantra, mas nós sempre repetimos: “os portos são federais, os portos são federais...”

Inúmeros colunistas têm falado, discursado ou escrito sobre isso. Mas por que razão agora a SEP – Secretaria Especial de Portos decidiu compartilhar a gestão dos portos delegados aos estados?

Talvez as explicações postas na mídia dissimulem reais ocorrências nos bastidores, mas vou falar um pouco da minha vivência nos bastidores de administração portuária.


Ministro da SEP Pedro Brito, Daniel Lúcio e Juarez Moraes superintendente do TCP e presidente da ABRATEC (Encontro em Brasilia, 2009).

Desde 2003 na gestão dos portos do Paraná (Paranaguá e Antonina), fui nomeado Superintendente em 2008, tomei o bastão com os ônus e bônus do cargo público. Muita coisa pra fazer e muitas travas e equipe politizada sem pouca margem de manobra para profissionalizar.

Meu primeiro grande desafio foi dragar o Canal da Galheta, que estava na eminência de entrar em colapso, ter ser calado reduzido a 9 metros e quase o fim das operações do maior porto graneleiro da América Latina. Era início de Dezembro de 2008, quando adiamos até a cesariana da minha filhinha Mariana, hoje com um ano e nove meses, para que pudesse ter uma audiência emergencial com o ministro Pedro Brito sobre o tema, inclusive Itajaí estava em ruínas.

Com a cooperação da SEP, contratamos emergencialmente em Janeiro de 2009 a dragagem do canal de entrada aos portos paranaenses. No mesmo mês, o então ministro da agricultura Reinold Stephanes teve uma conversa pessal comigo me perguntando: “Então Daniel, me fale da dragagem. A agricultura brasileira depende de Paranaguá para escoar a safra e estamos todos preocupados. Falei com o Brito e ele disse que está te ajudando. Me fale ...”.

Talvez esse tenha sido o momento mais tenso da minha vida, pois sabia da gravidade do tema e da responsabilidade que tinha em mãos naquele momento. O porto poderia entrar em colapso junto com a exportação brasileira de grãos.

Olha o que perdermos de verbas que havia conseguido com o relacionamento profissional de alto nível que mantinha com a SEP, em especial com o Subsecretário Fabrizio Pierdomenico:

• R$ 53 milhões para dragagem de aprofundamento

• R$ 50 milhões para o projeto de instalação de uma usia de reciclagem de resíduos portuários, sendo Paranaguá o modelo que seria adotado pela SEP.

Mas, após minha saída, a politicagem desmontou a equipe e a condução destes projetos, perdendo-os ou atrasando-os.

Ao falar de “gestão federal compartilhada”, a SEP deveria aproveitar para definir o modelo portuário brasileiro de uma vez por todas, e adotarem-se critérios claros e definitivos, administrando os portos com a participação federal, estadual e da comunidade local.

Só assim, o compadrio, picaretagens, corrupção e amadorismos podem ser evitados ao se impedir que nomeações politiqueiras e até mesmo eleitoreiras quebrem o planejamento estratégico dos portos, como tem ocorrido recentemente, sendo estas as verdadeiras motivações da SEP declarar que passará a intervir em Paranaguá, Rio Grande e outros portos recentemente noticiados.